EUMIR DEODATO — LOVE ISLAND (1978)


 EUMIR DEODATO — LOVE ISLAND (1978) | Jazz-funk, disco e sofisticação brasileira

Em 1978, Eumir Deodato lançou Love Island, um álbum que representa uma fase especialmente interessante de sua trajetória internacional. Depois do enorme sucesso de Prelude (1973), com sua versão de “Also Sprach Zarathustra”, o pianista, compositor e arranjador brasileiro continuava explorando as possibilidades do jazz-fusion, agora incorporando com ainda mais intensidade elementos do funk e da disco music.

Lançado pela Warner Bros. e produzido por Deodato em parceria com Tommy LiPuma, o disco apresenta uma sonoridade elegante e dançante. Os teclados, sintetizadores, metais, cordas e percussões constroem uma atmosfera que combina sofisticação instrumental com grooves pensados para movimentar a pista.

A abertura com “Area Code 808” estabelece o clima: uma base rítmica firme, arranjos de metais e a condução característica dos teclados de Deodato. Na sequência, “Whistle Bump” surge como um dos grandes destaques do álbum, com seu groove contagiante e uma pulsação que conquistou espaço entre DJs e apreciadores do jazz-funk e da música dançante.

“ Tahiti Hut”, composição em parceria com Maurice White, fundador do Earth, Wind & Fire, reforça a conexão entre o universo de Deodato e a sonoridade sofisticada do funk norte-americano. Já “San Juan Sunset” apresenta uma atmosfera mais contemplativa, com uma construção melódica que passeia por referências latinas e pelo jazz instrumental.

A faixa-título, “Love Island”, é outro momento importante: uma composição envolvente, com arranjo orquestral e desenvolvimento instrumental que traduz bem a proposta estética do álbum.

No segundo lado, “Chariot of the Gods”, composição de Don Juan Mancha e Edwin Starr, traz uma sonoridade mais dramática. “Pina Colada” recupera o clima descontraído e dançante, enquanto “Take the A Train”, clássico de Billy Strayhorn associado à orquestra de Duke Ellington, encerra o disco com uma releitura dentro da linguagem jazz-funk de Deodato.

Love Island revela um músico que compreendia profundamente as possibilidades de diálogo entre diferentes universos musicais. A formação erudita, a experiência com a música brasileira e o domínio dos arranjos orquestrais aparecem combinados com a energia do funk e a estética sonora do final dos anos 1970.

Não é apenas um disco de jazz para ouvir com atenção, nem somente um trabalho voltado à dança. É justamente o equilíbrio entre essas duas dimensões que faz de Love Island um registro tão interessante.

Uma verdadeira viagem instrumental pelo jazz-funk dos anos 1970, com a assinatura de um brasileiro que conquistou espaço entre os grandes nomes da música internacional.


Repertório:

Lado A

  1. Area Code 808

  2. Whistle Bump

  3. Tahiti Hut

  4. San Juan Sunset

Lado B

  1. Love Island

  2. Chariot of the Gods

  3. Pina Colada

  4. Take the "A" Train — Billy Strayhorn


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