Roy Ayers

 


BIO, STORIES & RECORDS

ROY AYERS — O HOMEM QUE COLOCOU O JAZZ PARA DANÇAR

A história de Roy Ayers começa no Jazz, mas não termina nele.

Nascido em Los Angeles, em 1940, Ayers começou sua trajetória como vibrafonista dentro do universo do Jazz. O instrumento, normalmente associado a uma sonoridade delicada e sofisticada, ganhou outras possibilidades em suas mãos. Ao longo dos anos 1960 e 1970, Ayers foi se afastando das fronteiras mais tradicionais do gênero e aproximando seu som do Soul, do Funk e das novas possibilidades elétricas que estavam transformando a música negra americana.

Foi justamente nessa transformação que surgiu uma de suas marcas mais importantes: Ubiquity.



Mais do que o nome de um grupo, Ubiquity representava uma nova direção. O Jazz continuava presente, mas agora havia espaço para grooves mais pesados, baixos marcantes, teclados elétricos, percussão e uma música feita também para o corpo. Ayers não abandonou o Jazz. Ele simplesmente mostrou que o gênero podia conversar com a pista de dança.

Discos como Everybody Loves the Sunshine, lançado em 1976, ajudaram a consolidar essa identidade. A faixa-título se tornou uma de suas gravações mais conhecidas e, décadas depois, continuaria aparecendo em samples, versões, remixes e produções de artistas ligados ao Hip-Hop e à música contemporânea.

Mas talvez esteja justamente aí uma das maiores histórias de Roy Ayers.

Sua música não ficou presa ao seu tempo.

O que parecia, nos anos 1970, apenas mais uma experiência dentro da evolução do Jazz-Funk acabou se transformando em matéria-prima para outras gerações. DJs, produtores e colecionadores passaram a revisitar seus discos, descobrir faixas menos conhecidas e enxergar novas possibilidades naqueles sulcos.

E o curioso é que Ayers nunca precisou abandonar sua identidade para acompanhar as mudanças.

Seu vibrafone continuou sendo o ponto de partida. O que mudou foi o caminho.



Jazz, Soul, Funk, Disco, Boogie e, posteriormente, Hip-Hop encontraram espaço nessa trajetória. É por isso que falar de Roy Ayers é falar também sobre uma época em que as fronteiras entre os gêneros estavam sendo desmontadas — muitas vezes dentro do próprio estúdio.

Para quem garimpa discos, existe ainda outro Roy Ayers.

O dos lados B, das faixas menos lembradas, dos álbuns que aparecem nas prateleiras dos colecionadores e das gravações que ganham uma segunda vida quando alguém coloca a agulha no sulco certo.

E talvez seja essa a melhor maneira de começar BIO, STORIES & RECORDS.

Não simplesmente contando quem foi Roy Ayers.

Mas entendendo por que sua música continua encontrando novos ouvidos tantos anos depois.

Roy Ayers não apenas tocou Jazz. Ele ajudou a transformá-lo em Groove.



BIO, STORIES & RECORDS
Biografias, histórias, curiosidades e discos que merecem ser lembrados.