Twelve Bar Stories

 TWELVE BAR STORIES


Quando o Jazz encontrou o Groove

Donald Byrd — Black Byrd — 1973

Havia um momento em que o jazz precisava decidir para onde queria ir.

O público estava mudando. Os discos de Soul e Funk ocupavam cada vez mais espaço nas lojas, os bailes estavam mais elétricos e uma nova geração queria dançar tanto quanto queria ouvir.

Donald Byrd percebeu isso.

Trumpetista respeitado dentro do jazz, Byrd já vinha experimentando novas sonoridades quando encontrou nos irmãos Larry e Fonce Mizell os parceiros ideais para transformar suas ideias em algo diferente. O resultado dessa parceria foi Black Byrd, lançado pela Blue Note em 1973.

Para os puristas, aquilo era quase uma provocação.

Para quem ouvia com os ouvidos abertos, era outra coisa: jazz encontrando o groove.

O disco misturava trompete, teclados elétricos, guitarras, baixo, bateria, percussão, sintetizadores e vocais em uma produção que aproximava o jazz do Soul e do Funk sem abandonar completamente a linguagem de Byrd. Larry Mizell assumiu papel central nos arranjos e na produção, criando uma sonoridade luminosa, dançante e profundamente marcada pelo ritmo.

E o público respondeu.

Black Byrd tornou-se um enorme sucesso comercial e, segundo a própria Blue Note, transformou-se no disco mais vendido da história da gravadora naquele período. O que alguns críticos enxergavam como uma concessão ao mercado acabou demonstrando que o jazz também podia encontrar novas plateias através do groove.

É aí que começa a parte que interessa ao colecionador.

Porque quando a agulha cai sobre “Flight Time”, “Black Byrd”, “Slop Jar Blues” ou “Where Are We Going”, o que aparece não é simplesmente um disco de jazz.

É um documento de uma época em que as fronteiras entre Jazz, Soul, Funk e música popular estavam sendo redesenhadas.

E talvez seja justamente por isso que Black Byrd continua tão procurado e ouvido.

Alguns discos registram uma época.

Outros ajudam a mudar o caminho da música.

Black Byrd fez os dois.

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Porque por trás de cada disco existe uma história.

E algumas histórias começam quando o Jazz decide colocar o pé no groove.